De forma a dar suporte, eficiente e eficaz, ao vasto leque de atividades, a ESEnfC tem vindo ao longo do tempo a investir em infraestruturas sustentadas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), bem como em sistemas de informação. O crescimento destas infraestruturas iniciou com a componente da gestão académica, que tem sido alargada a diferentes áreas funcionais, como a gestão financeira e tesouraria. A plataforma BUEC desenvolvida com o objetivo de integrar estes sistemas num balcão único para oferecer à comunidade educativa uma interface unificada, reduzindo custos operacionais e aumentar a produtividade da ESEnfC, e também para servir entidades externas: fornecedores, ex-estudantes, entidades de serviço público, potenciado a divulgação das atividades realizadas pela ESEnfC para os cidadãos em geral.
Na situação que o mundo atravessou (e continua a atravessar) face à pandemia COVID-19, foi necessária e urgente a reorganização de toda a estrutura das entidades públicas e privadas, onde os serviços de informação e sistemas informáticos foram os mais interventivos de forma a proporcionar ferramentas para que o trabalho continuasse a ser realizado, no formato à distância, sem a presença física da maioria das pessoas. Hoje, grande parte das reuniões de equipa, de docentes e de não docentes, predomina a utilização do modo à distância, por ser mais facilitador em termos de horários evitando deslocações, e porque as pessoas se adaptaram às novas ferramentas de trabalho.
Na ESEnfC a reorganização foi, igualmente, pensada ao nível do trabalho do pessoal não docente, trabalho docente e participação presencial nas aulas pelos estudantes. Com efeito, passados dois anos do início da pandemia COVID-19, considera-se que a estrutura organizacional da instituição já se adaptou a esta nova forma de trabalho, em grande parte, devido à utilização de plataformas integradas com recurso aos sistemas informáticos desenvolvidos em projetos SAMA (Portugal 2020) anteriores.
A ESEnfC é oficialmente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Centro Colaborador desde 2014, sendo o único centro da Península Ibérica para a Enfermagem e um dos nove centros a nível europeu membro da Rede Global de Centros Colaboradores da OMS para a Enfermagem e Obstetrícia (https://ccoms.esenfc.pt/).
No entanto, a maior preocupação para a ESEnfC continua a ser os processos de ensino, de aprendizagem e de avaliação desenvolvidos com os diferentes intervenientes como se descreve:
Com base nesta premissa, reforçada pelos últimos relatórios do Conselho para a Qualidade e Avaliação (CQA) da instituição, foi diagnosticada a necessidade de implementação de uma proposta inovadora e com carácter experimental como incubadora de novas (futuras) oportunidades, de forma a ultrapassar as dificuldades e preocupações sentidas por toda a comunidade educativa. Desta forma, foram identificadas necessidades e oportunidades para uma evolução dos processos de ensino-investigação-inovação a curto-médio prazo, tendo sido organizadas em eixos estratégicos (EE) que se descrevem seguidamente.
Na formação em Enfermagem, quer seja graduada ou pós-graduada, os estudantes desenvolvem uma parte significativa dos processos de ensino e de aprendizagem em contextos da prática clínica.
Constituído essencialmente por uma díade assistente convidado/docente durante décadas, com o Decreto-lei n.º 166/92, de 5 de agosto, o processo de supervisão clínica introduz a necessidade de um novo ator, o enfermeiro tutor. Contudo, e apesar de não ser um aspeto exclusivo do contexto português, esta nova dinâmica tem-se apresentado deveras desafiante face à necessidade de modo a melhor articular o ensino nas suas diferentes modalidades (T; TP; PL; EC; S)
Deste modo, o desenvolvimento de uma relação/colaboração contínua e saudável entre estes intervenientes do processo supervisivo terá um claro impacto numa aprendizagem reflexiva como elemento central do desenvolvimento do estudante. Para além deste aspeto, o processo de tutoria por parte dos enfermeiros tem o potencial de permitir o desenvolvimento e aquisição de novos conhecimentos e de questionamento reflexivo da sua própria prática, podendo ser um elemento estratégico para a promoção da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros gerando cuidados de enfermagem mais assentes em prática baseada em evidência e menos em tradições dos locais de trabalho. Por outro lado, esta colaboração entre os vários intervenientes permitirá uma maior compreensão por parte dos assistentes convidados e docentes dos desafios societais e da evolução tecnológica com o contexto clínico real. Assim, o estudante passa a ter um papel central para o desenvolvimento de práticas de cuidar cada vez mais ajustadas às necessidades científicas e societais, passando este a ser agente de mudança nos contextos por onde desenvolve o seu processo de ensino, aprendizagem e avaliação, assim como futuro prestador de cuidados de enfermagem assentes numa aprendizagem reflexiva com maior potencial de personalização e ajuste aos indivíduos cuidados.
A estes desafios presentes há várias décadas observa-se a presença de novos fatores associados ao contexto pandémico, seguidamente assinalados:
De acordo com o referido, torna-se prioritário desenvolver uma estratégia que vise o desenvolvimento e aperfeiçoamento de competências pedagógicas que respondam aos desafios supracitados. O desenvolvimento de um plano de formação orientado para a capacitação dos diferentes atores do processo de ensino, de aprendizagem e de avaliação dos estudantes no âmbito da sua prática clínica permitirá reduzir significativamente a dicotomia entre o ensino e o contexto clínico, agravados pela situação pandémica. Para além deste benefício, uma capacitação sistematizada assente em dinâmicas formativas capazes de responder às dificuldades e necessidades sentidas pelos enfermeiros tutores, assistentes convidados, e docentes no contexto clínico, e que fomentem a partilha reflexiva de experiências e estratégias pedagógicas inovadoras, incrementará qualidade no processo de ensino, de aprendizagem e de avaliação do estudante, capacitando-o de uma forma ativa para o seu papel como futuro enfermeiro, assegurando cuidados de enfermagem de elevada qualidade, nomeadamente na necessidade da adequação dos mesmos aos desafios societais impostos pela pandemia COVID-19 e pelo pós-COVID.
A ESEnfC sendo uma instituição de ensino superior reconhecida e acreditada como uma das melhores escolas de enfermagem do mundo, distingue-se pela qualidade do ensino, da investigação e extensão, assim como pela articulação interprofissional e disciplinar. A comunidade educativa da ESEnfC é líder nos avanços do conhecimento em enfermagem, na implementação dos seus resultados para a saúde e o bem-estar das populações, através da formação de enfermeiros capazes de influenciar as políticas de saúde e educação.
De acordo com o referido, a preocupação da instituição é a formação dos seus estudantes nos vários ciclos de ensino, sabendo que:
Um número significativo dos estudantes do CLE não é natural do concelho de Coimbra, o que exige uma residência alternativa junto às instalações da ESEnfC de forma a facilitar a presença em serviços ou nas atividades letivas;
No ano letivo de 2021/2022, 434 dos 1472 estudantes do CLE são alvo de apoio financeiro e ação social. Estes números afiguram-se como um desafio para a ESEnfC, dada a necessidade de promover abordagens e ferramentas de ensino inclusivas, que possibilitem 11 de 43 um processo de ensino-aprendizagem sem custos acrescidos para os estudantes e respetivos agregados familiares;
As exigências de saúde associadas à necessidade de uma atualização contínua e rápida implicam o recurso a literatura internacional com acesso a termos técnicos, muitos deles novos devido à sua associação com o contexto pandémico e o contexto pós-COVID;
A necessidade de um alinhamento transcultural por parte da instituição, da preparação de estudantes capazes de se adaptar às exigências e desafios societais que implicam o contacto com diversos públicos que não apenas o nacional. A ESEnfC destaca-se pela importância atribuída aos estudantes inscritos através do programa ERASMUS+ e aos inscritos ao abrigo de acordos de mobilidade internacional com o Estado Português, nomeadamente no desenvolvimento de estratégias e ferramentas transversais aos vários domínios linguísticos;
Os estudantes que frequentam formação pós-graduada, conferente ou não de grau, são também, na sua maioria, profissionais de saúde no ativo, cuja atividade profissional decorre, em geral, na região centro, mas também noutras regiões do país. A situação laboral destes estudantes dificulta a conciliação dos horários profissionais com as deslocações e horários para a frequência das atividades letivas, nomeadamente de tipologia teórica, teórico-prática e prática laboratorial;
As exigências da saúde da população e dos serviços de saúde, em tempo de Pandemia COVID-19, exigiram a mobilização total dos profissionais de saúde e impediram que os estudantes dos Mestrados pudessem conciliar a formação com o trabalho. Existiu, assim, necessidade de suspender cursos de mestrados. Em tempo de desconfinamento, importa encontrar estratégias de formação B-learning, que permita reiniciar estes cursos de modo a que os enfermeiros e outros profissionais de saúde, que suspenderam os seus cursos para servir o país, possam reiniciar as atividades e dar seguimento à sua atividade formativa especializada.
A licenciatura em Enfermagem pela estrutura curricular e organização do plano de estudos, tendo por base a Diretiva da União Europeia tem uma forte ligação a Instituições de Saúde e outras que têm parcerias com a ESEnfC. A nível das Instituições de Saúde e de acordo com o modelo de aprendizagem orientado para o desenvolvimento de competências, destaca-se a necessidade do envolvimento efetivo de enfermeiros tutores. Estes profissionais são definidos, por contexto clínico, para a colaboração no processo supervisivo, incluindo a avaliação dos estudantes durante o processo de ensino, de aprendizagem e de avaliação ao longo do CLE.
Complementarmente, destaca-se que mais de metade do corpo docente é constituída por profissionais que trabalham regularmente em unidades de saúde regionais (hospitais, centros de saúde, estruturas residenciais para idosos), comumente deslocados em dezenas de quilómetros de distância da ESEnfC. Estes profissionais são contratados para lecionar a tempo parcial devido à sua experiência e competência profissional (assistentes convidados).
Na sequência de um modelo de aprendizagem orientado para o desenvolvimento de competências, ressalta a necessidade de um trabalho em equipa por parte dos docentes em cada semestre de forma a que se garanta que essas competências são desenvolvidas, envolvendo, necessariamente, uma articulação entre os vários docentes no planeamento das atividades e na sua monitorização.
Neste desiderato, a exploração do poder das TIC para aprendizagem é enorme, desde o acesso à informação e às evidências científicas, ao aumento da capacidade de recolha e análise de dados, às possibilidades que traz à simulação de situações clínicas cada vez mais complexas em laboratório, ao ensino à distância, ao potenciar da conectividade entre docentes, assistentes convidados, tutores e estudantes, facilitando a colaboração entre todos, a partilha e gestão do aumento do conhecimento. Com a situação do mundo atual é impreterível e urgente, dadas as exigências, garantir a segurança da comunidade educativa, em tempo de pandemia COVID-19 e em tempo de pós-COVID.